Engordar ou emagrecer de repente, sem fazer nenhuma modificação no cardápio ou na rotina de atividades, são indícios que algo não funciona bem com a tireóide, glândula responsável pelo funcionamento do metabolismo. "Essa glândula produz um hormônio chamado T4 (tiroxina), que regula o gasto de energia do corpo", explica o endocrinologista da Unifesp, Pedro Saddi. Localizada no pescoço, logo abaixo da região conhecida como pomo de adão, a glândula pode sofrer alguns desequilíbrios, causando mudanças notáveis ao organismo. Os distúrbios estão relacionados ao funcionamento acelerado ou lento demais da tireóide."Quando a glândula produz T4 em excesso, o paciente fica constantemente nervoso, trêmulo, sente palpitações, sofre de pressão alta, tem muita fome e, mesmo comendo bastante, não engorda. É o que chamamos de hipertireoidismo", diz Pedro.
Ainda de acordo com o especialista, sintomas menos comuns, mas que também podem aparecer, são diarréia e aumento da menstruação. "Tanto do fluxo menstrual, quanto da quantidade de dias em que o sangramento ocorre". Caso a mulher passe a ser mais sonolenta, durma bastante, enfrente problemas com intestino preso, apresente uma pele mais seca, menstrue menos (com intervalos de 45 a 50 dias) e engorde, é sinal que o contrário está acontecendo: a tireóide está produzindo pouco hormônio, caracterizando o hipotireoidismo. "É comum algumas mulheres associarem os quilos a mais ao desequilíbrio na tireóide. Mas, ao apresentar hipotireoidismo, a paciente engorda, no máximo, cinco quilos", ressalta o endocrinologista da Unifesp. Segundo ele, o aumento de peso é resultado da retenção de líquidos. "Não há aumento de gordura", garante. Diagnóstico
Além dos alertas dados pelos sintomas característicos de cada tipo de disfunção, o endocrinologista faz uma avaliação clínica (apalpando a região da glândula) e pede que o paciente faça um exame de sangue para verificar as taxas de hormônios produzidos pela tireóide. Pedro diz que "se a taxa de TSH (hormônio que estimula o funcionamento da tireóide) cair e a de T4 subir, significa que a pessoa apresenta hipertireoidismo. Já quando o oposto acontece, é hipotireoidismo". Causas
Segundo o especialista, as alterações tireoidianas podem acontecer por razões genéticas ou esporádicas. "Quando a causa não é genética, costumo brincar dizendo que o indivíduo sofre disfunções na tireóide por azar. Não tem nenhum hábito errado que influencie no funcionamento da glândula", conta. A falta de iodo na alimentação, no entanto, também pode levar ao hipotireoidismo. Isso porque o hormônio produzido pela tireóide depende do mineral para ser metabolizado. "Hoje em dia, é difícil que essa deficiência na alimentação aconteça, já que ele é adicionado ao sal de cozinha". Tratamentos
Um comprido sintético, que imita o hormônio produzido pela tireóide, é capaz de equilibrar as descompensações sofridas com o hipotireoidismo. A ingestão precisa ser feita em jejum, pela manhã, diariamente. Normalmente, em quatro semanas, no máximo, as taxas já estão estabilizadas e o organismo começa a voltar ao normal. Já para tratar os problemas causados pelo excesso da produção de T4, é preciso optar entre remédios que inibem a produção do hormônio tireoidiano, ou métodos definitivos, como a retirada da glândula ou a dose única de iodo radioativo. Pedro esclarece que "um combinado de dois a quatro comprimidos ingeridos todos os dias age diretamente na glândula, evitando que o hormônio seja produzido e aliviando os sintomas. Quando o tratamento não é eficaz, o especialista parte para uma das outras opções". Se o medicamento fizer efeito, as taxas hormonais se normalizam em um mês. Com as outras alternativas de tratamento, o organismo leva, em média, seis meses para se recuperar.
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Excesso de peso pode ser sinônimo de desequilíbrio na tireóide
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